sábado, 21 de janeiro de 2017

Nos dias que não chorei

Meu sorrir
Não se sustenta em si
Em meio a todas as rotinas
O sobreviver é o que limita
As linhas que vi
São as que estão em mim
Desenharam o meu rosto
Uma máscara para o mundo todo
No fundo, bem no fundo eu senti
Que não há mais nada, além  do falso sorrir

sábado, 26 de novembro de 2016

Esperança

Decreto neste dia que a esperança é algo que não deve viver em mim
Afinal já espero a morte certa
A resposta negativa de todo mundo
Esperar é alternativa que não entra na possibilidade de felicidade

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O que há depois do portão?

Além do quarto, para fugir da vontade sufocante de dormir
Passo pela sala, passos curtos, demorados
Mão  leve sobre o sofá
A janela mostra, fito o olhar sobre o desconhecido
A curiosidade de ir pra onde se sabe que não volta
Vontade imensa de satisfazer o destino da carne
Passar por ele e ver a primavera
Sentir o inverno
Sem nenhuma certeza
Além da que quando saciar a dúvida
Somente eu saberei e nunca poderei dizer a ninguém

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Faces

Somos pedaços de sonhos
Pairando entre asas de borboletas
Com cheiro de flores campestres
Isso por um lado

Por outro lado
Somos guardanapos molhados
Se fantasiando de concreto armado
Sorrindo nos dias de chuva

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Fugi

Ele corre até ela
Alcançou
Abraçou, amou, cuidou
Então ela correu até ele
Ele cansou
Correrão um do outro
Foi pra tão longe
Que se encontraram novamente

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Aparência

Não queira quem sai bonito em fotos
Que usa sorrisos automáticos
Prefira aquelas pessoas que não tem vergonha
Das próprias vergonhas
Pois estas não fazem vergonha a ninguém
Por isso não precisam nem de maquiagem
Muito menos de Photoshop

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Durante o Dia

Foi uma manhã de sonhos intensos
Às 10 já era um sonhador
No começo da tarde por volta da metade do dia
Um idealista nato
Guerreiro, gritador
Então a fome veio
Senti o prato vazio
Começo da tarde não existiam mais sonhos
Metas, um nome estranho que me disseram
Substituía os sonhos
Objetivos a ser cumprido antes de anoitecer
No meio da tarde algumas metas cumpridas
E a sensação de vazio
Lembrei da minha manhã
O quão estúpido a fome me tornou
Decidi no começo da noite
Todo dia será então minha manhã
Não venderei mais minha alma por metas
Objetivos não são sonhos
Sonhos são minha alma
Não será no outro dia que virá
Mas no dia de hoje
Antes do anoitecer
Ser idealista-sonhador, sim isso sim
Ser realizado é coisa de conformado
Eu sou mesmo idiota das 10 da manhã
Essa alegria não será mais tirada de mim
Ah sim, esqueça a fome
Nosso coração se alimenta de tudo
Menos de metas